Honeyde Bertussi nasceu em São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, no estado do Rio Grande do Sul, em 20 de fevereiro de 1923, e faleceu em Porto Alegre, em 04 de janeiro de 1996.
Adelar Bertussi nasceu em Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, em 15 de fevereiro de 1933, e faleceu em Campo Largo/PR, em 30 de setembro de 2017, aos 84 anos.
Juntos os dois irmãos formaram durante a década de 50 a dupla de acordeonistas "Irmãos Bertussi", responsáveis pela expansão e divulgação da música regionalista.
Os "Irmãos Bertussi" marcaram a época na música brasileira a partir de 1955, porém a saga desta família italiana atravessa todo o século XX na música do Rio Grande do Sul, iniciando-se com a chegada de João Bertussi Filho (pai de Fioravante Bertussi) na leva de imigrantes XIX. Estabelecidos na região serrana, "Os Bertussi" difundiram instrumentos musicais (especialmente a gaita) através de seu entreposto comercial. Criaram uma escola musical baseada na técnica apurada e na leitura musical. Isto os diferenciou na música regional. Fioravante era um clarinetista estudioso e tornou-se regente de uma das primeiras bandas serranas. Os filhos estudaram teoria musical o colheram o que de melhor havia em folclore e gêneros regionais diretamente das fontes. Aliás, não só viviam essas realidades cotidianas, como logo eles próprios tornaram-se fontes. Talvez a cultura gaúcha nem possa dimensionar ainda a influência e real importância dos "Bertussi", mas, eles representam diretamente a ascendência italiana na sociedade gaúcha do século XX e todos os seus significados. Veremos que no começo do século os temas recorrentes são sobre a índole musical gaúcha, que predominavam os temas tristes, sombrios e carregados. Em contraponto a este debate, "Os Bertussi" infundem uma escola musical de baile, com música apropriada para a dança e a alegria característica do povo italiano. Somando a isso, ainda há que se frisar o aspécto importante do espírito inovador destes músicos.
A primeira grande revolução que causaram foi a de utilizar dois acordeons ao invés da costumeira dupla violão/acordeon. Isto só foi possível, porque Adelar e Honeyde eram exímios instrumentistas e escreviam as partituras rearranjando os temas de modo que os instrumentos se completassem. Era como um só acordeon tocando a quatro mãos. Anos depois, já no início dos anos 50, incorporaram a bateria ao baile gaúcho. Bateria era, então, um instrumento utilizado pelos jazzistas e havia entrado no Rio Grande do Sul a partir de 1924. "Os Bertussi" sabiam o que queriam. Na época não existiam equipamentos de som (microfones, amplificadores e caixas de som são coisas dos anos 60). Precisavam de volume, de potência sonora para os bailes cada vez maiores. Assim é que "Os Bertussi" estiveram na linha de frente da música ao gravar temas eruditos em acordeon para o mercado nacional e ao revolucionar a execução musical dentro do estado. Esta saga vitoriosa cruza todo o século XX e adentra o século XXI.
Adelar e seu irmão foram os pioneiros da música tradicionalista gaúcha, e também foi o primeiro grupo a incluir a bateria em bailes, fato inédito, porque na época os artistas se apresentavam nos bailes com um pandeiro, uma gaita, um violão e um bumbo legüero. O cantor Adelar Bertussi é hoje referenciado como um símbolo do tradicionalismo. Adelar deixou "Os Bertussi" no ano de 1998, e passou o cargo para seu filho Gilney Bertussi.
Atualmente, o grupo "Os Bertussi", liderado agora por Gilney Bertussi, filho de Adelar, conta com os seguintes integrantes: Gilney Bertussi (gaita e voz solo), Jaciano Fogaça (gaita e voz), Leandro (guitarra e vocal), Marcos Gomes do Nascimento (baixo e vocal) e Paulo Alessandro (bateria). |