Josabeth Ferreira dos Santos (Beth) nasceu em 06 de julho de 1936, e Eleonor Aparecida Ferreira dos Santos (Betinha) nasceu em 01 de janeiro de 1941, ambas na cidade de Entre Rios (hoje Rio Brilhante) no estado de Mato Grosso do Sul.
A precocidade artística marcou a vida de Betinha que, aos 10 anos, já atuava na dupla "Nhô Chico e Nhá Xica". Contudo, o destino reservava um lugar especial para a parceria entre as irmãs. Em 16 de junho de 1956, no palco do Clube Amambay, em Pedro Juan Caballero, o público conheceu oficialmente "Beth e Betinha". O sucesso atravessou a fronteira e rendeu-lhes o título de "Princesinhas da Fronteira", conquistado após vencerem um concurso de composição em castelhano e guarani em uma rádio de Assunção, no Paraguai.
Sob a batuta do pai, o Maestro Manuel Brandão Ferreira, que atuou em Rivera, as irmãs herdaram o talento que uniria fronteiras. Desde a infância, ele ensinava os filhos a cantar e tocar em festas familiares, plantando a semente de uma carreira brilhante. O reconhecimento veio em Pedro Juan Caballero, onde o domínio do guarani e o talento em concursos de rádio as consagraram. Após
percorrerem Dourados, Amambai e Ponta Porã, mudaram-se para Campo Grande, conquistando o rádio e lotando circos em shows históricos com Nhô Pai e Nhô Fio.
As irmãs Beth e Betinha, pioneiras da música sertaneja de fronteira em Mato Grosso do Sul, construíram suas trajetórias nos corredores da Rádio de Campo Grande. Foi nesse ambiente de estúdio, a partir de 1958, que os destinos se cruzaram com os irmãos Rodrigo e Rodriguinho. Da convivência diária entre violões e sanfona, floresceu um laço afetivo que uniu para sempre as duas duplas da música regional. Assim, as duas irmãs cantoras se casaram com os dois irmãos cantores, selando parceria eternizada na cultura sul-mato-grossense.
O álbum "C-10 Branca" consolidou a identidade sonora de Beth e Betinha sob a produção e direção artística de Zacarias Mourão, registrando faixas emblemáticas como "C-10 Branca", "Me Deixou na Solidão" e "Fofinho". Este registro histórico, que destaca o domínio da dupla sobre o cancioneiro da fronteira, também inclui canções como "Ponta Porã", "Menino Lindo" e "Moreno Ingrato". O álbum, com composições e arranjos de Maestro Miranda e colaboradores, representa um marco na música regional do Mato Grosso do Sul.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Beth e Betinha mantiveram viva a chama da música fronteiriça com a força da viola pantaneira e o pulsar da sanfona. Elas representam a resistência de uma sonoridade que une o Brasil ao Paraguai, traduzindo em melodia e versos o sentimento profundo de um povo. Sua importância é tamanha que a trajetória das irmãs foi imortalizada em documentários e homenagens, servindo de inspiração para as novas gerações da música sertaneja e regional sul-mato-grossense.
Betinha faleceu em 17 de dezembro de 2025, aos 84 anos.
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